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Danificar a perfeição

Coisas aleatórias, Horizontalização 1 Reply

Olá, tudo bom?

Você já se perguntou alguma vez, o que leva alguém a estragar coisas boas?

Sério, às vezes eu paro para pensar: “mas é tão fácil”. Bom, se tem um fato irrefutável é que quando estamos vendo de fora, tudo parece bem mais simples do que quando começamos a fazer.

Há alguns posts atrás eu escrevi sobre a horizontalização e sim, apoio e confirmo que além de uma empresa poder crescer e se desenvolver de forma muito mais saudável, uma administração horizontal oferece também crescimento pessoal aos envolvidos, pela simples participação conjunta, colaboração. Mas, vamos enfrentar a realidade né!? Isso tudo exige um pouco de coisas que as pessoas não têm muito de sobra: iniciativa.

Primeiramente, encontrar a tal iniciativa é partir do pressuposto de que se sabe o que faz e, portanto é necessário que haja um tanto quanto de auto confiança. O papel do chefe, do gerente, do capataz é esse, pegar um grupo seleto de pessoas inseguras e totalmente incapazes de ousar e chicotear-lhes as costas até que façam o que alguém pediu. Pior ainda é quando o solicitante sequer tem a ver com o que está no escopo da empresa ou do projeto, pois aí o gestor vira uma ferramenta do mágico “telefone sem fio”, criando ainda mais instabilidade e, portanto, inseguranças.

Quando eu me deparo com uma empresa estruturada e tudo parece lindo, começo a refletir que as grandes corporações se constroem em cima do lodo da irresponsabilidade, pressa e, principalmente, de macaquinhos dispostos a seguir a banana em troca de umas moedinhas e do medo de ficarem sós. Pra melhorar, no mundo atual ainda existem aquelas empresas que geram a aura fanática de felicidade e que a alegria se torna um mantra que cuida, fazendo com que a falta de sorriso seja o machado do carrasco.

A realidade é simples, tudo isso acontece pelo fato de que é muito mais fácil ganhar dinheiro do que prestar serviço ou oferecer qualidade. Está fácil explorar e não pensar nos outros, não pensar na “horrível sociedade suja e no sistema decrépito do blablabla”.

Me encontro o tempo todo com grandes ideias e equipes incríveis, mas a pressa do capitalismo desenfreado adotado por populações atrasadas faz com que o dinheiro seja a prioridade e o processo acaba escravizando os envolvidos.

“Ah Octo, então você não quer seu dinheiro..dá ele pra mim”

Não é esse o ponto e eu quero dinheiro sim!

Dinheiro, poder e influência são ferramentas importantes para fazer com que as coisas aconteçam e, uma ferramenta não pode ser confundida com o objetivo. Pense, de que adianta você ter dinheiro em um ambiente desgastante, fazendo parte de uma empresa com potencial que só sabe subjugar e desmotivar? Isso não é uma equipe, é parasitismo. (Lembrando que as presas do parasita são denominadas gestores na maioria das vezes). Não se tornaria muito mais gostoso ter o dinheiro e gastar com coisas que valham a pena para a pessoa? Cada um decide o que faz bem, mas se tornar escravo disso é vantajoso?

A construção da sociedade que as pessoas têm escolhido é de se fundamentar em coisas que não se têm, tentando desenfreadamente competir consigo mesmas, se destruindo e se desmotivando, forçando corporações a lhes explorar e torturar para conseguir algum avanço. Eu não posso nem sequer condenar as chicotadas afinal, convenhamos, se um jegue não ta andando filho..tá na hora de levar umas bordoadas ou pendurar uma cenourinha na frente dele.

O simples fato de destruirmos o que temos como personalidade em busca de bens, ao invés de tentar encontrar o que nos faz bem só consegue que destruamos a perfeição de viver coisas boas. Um trabalho não precisa ser um lixo e nem as empresas precisam de uma pessoa dando chibatada à toa. É tudo uma questão de iniciativa, de escolha e noção de que há algum muito maior do que o happy hour da sexta ou os 2 dias do final de semana.

Mas, como disse no começo, é muito mais fácil vendo de fora, afinal, cada um sabe o peso do que está carregando.

Assim, eu volto a dizer que a horizontalização é o caminho entretanto, enquanto nós continuarmos a nos basear em medo, fragilidades e insegurança e não tomarmos uma iniciativa para lutar pelo que acreditamos, só nos restará aguentar e ficar sonhando a riqueza que nunca vai chegar. Depende de nós.

Trabalhar faz parte da vida e temos que participar das coisas. Talvez possamos transcender e ousar criando algo novo e se envolvendo um pouco mais, se comprometendo com uma causa afinal, como dizia alguém:

Salário não enriquece ninguém!

Que tal ir um pouco atrás do que você acredita?

Até mais^^